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Rádio Difusão Internacional & Radioescuta & DX & Hardcore DX & Telecomunicações & Receptores admin em 01 Mar 2010
Um fim de semana memorável em Osasco - São Paulo
No final de semana foi promovido mais um encontro na casa de Rene Passold, em Osasco, SP, que tem tudo para se tornar tradicional.
Diversos amigos se reunem, sendo que alguns com a família, para se confraternizar e reforçar laços de amizade.
Contando com a hospitalidade do casal Rene e Sueli, eu e nosso amigo Marcio Pontes, da cidade de Registro, passamos um fim de semana ao mesmo tempo tranquilo e agitado. Tranquilo pois o local e a casa é bem agradável, mas agitado pelo pouco tempo disponível para se conversar.
Este tipo de oportunidade é rara, e precisamos aproveitar ao máximo, não só para conhecer um pouco mais sobre o que cada um está fazendo em relação ao hobby, mas principalmente trocar idéias e conhecer o que cada um pensa sobre os mais diversos assuntos.

Pose durante o churrasco preparado pelo anfitrião, Rene Passold e sua esposa, regado com muita cerveja e boas conversas.

Estiveram presentes, Carlos Felipe, Samuel Schiffembauer “Zumbrão”, Sergio Partamian, Paschoal Fidelis, Guilhermo, Michel Viani (o Rei dos Transglobes), Márcio Pontes, Renato Uliana e família.

E ao longo da madrugada, a conversa foi sim, sobre rádio, como não poderia ser diferente. Conhecer o escritório onde pesquisas são realizadas com antenas e amplificadores diversos, para que se possa ofereçer - ainda que de forma artesanal - produtos que são utilizados por radioescutas em todo o Brasil, foi uma experiência muito produtiva.
É aqui onde nascem a maioria das idéias que são utilizadas pelo DXCB para a prática do hobby. São nessas reuniões onde há troca de conhecimento e experiência, que são desenvolvidas ou aprimoradas idéias e práticas para aplicação no hobby.

O mais novo produto que já está disponível para quem aprecia as ondas curtas do rádio é a antena amplificada para esta faixa de frequência.
Substituindo uma longwire que não é direcional por uma antena loop de ferrite própria para esta frequência, apresenta a vantagem da diretividade, o que possibilita diminuir eventuais fontes de ruído próximas, além de ser portátil e fácil de operar.

Nesta ocasião, Renato Uliana demonstrou seu uso com um receptor de comunicações Yaesu VR-5000. Foi possível observar na prática como esse conjunto - Antena RGP3 + amplificador indutivo - foi bem adaptado não só a rádios portáteis, mas também os considerados “de mesa” (normalmente receptores mais sofisticados em recursos).
DX & Hardcore DX admin em 19 Nov 2009
Norueguês ouve a Rádio Cultura Ondas Tropicais a mais de 9 mil km de distância
Utilizando um receptor de rádio, Tore Vik captou os sinais da emissora recém-reinaugurada pela Funtelpa
17/11/2009 - 16:13
Por Carlos Henrique Gondim
Na última sexta-feira (13), o Portal Cultura recebeu um e-mail de um habitante da Noruega, informando que, na noite anterior, havia ouvido a Rádio Cultura do Pará Ondas Tropicais (OT). Com a experiência de quem já ouviu entre 2.000 e 2.500 rádios de todas as partes do mundo, o norueguês Tore Vik se disse impressionado pelo fato de os sinais da Rádio Cultura OT terem atingido o sul da Noruega, a mais de 9.000 km de distância do Brasil.
Aos 71 anos de idade, o oficial aposentado Tore Vik é um DXista (ou dexista) – como são conhecidas as pessoas que têm como hobby ouvir transmissões de rádio oriundas de países distantes do local de recepção, utilizando um receptor de rádio tradicional. A sigla DX, do inglês, traduz-se como “distância X”, ou seja, uma distância desconhecida. Trata-se de um hobby que conquista cada vez menos adeptos, devido, entre outros motivos, à força das novas mídias, que permitem acessar, com maior facilidade e qualidade de som, a uma infinidade de rádios internacionais por meio da internet.
DXista há 57 anos, Tore Vik não fala nem escreve em português. Mas pediu para um que um grande amigo seu, chamado Rudolf Grimm, que mora em São Paulo, traduzisse a carta que enviou ao Portal Cultura. Nela, Tore Vik informa que, no dia 12 de novembro, recebeu os sinais da Rádio Cultura Ondas Tropicais, com um programa de bossa nova.

“Sou entusiasta dos assuntos de rádio – mais precisamente por estações de rádio de outros países, que são as minhas favoritas. Gasto um certo número de horas semanalmente para tentar ouvi-las, em noites sem sono e no amanhecer dos dias eu procuro sintonizar a banda de AM (Amplitude Modulada), ondas médias, especialmente procurando ouvir emissoras de países da América Latina”, conta Tore Vik.
A Rádio Cultura OT foi reinaugurada no início de outubro, depois de 11 anos sem transmitir. Para esta nova fase da emissora, foram adquiridos modernos equipamentos, incluindo um transmissor de 10 kW, em um investimento de quase R$ 1,2 milhão, oriundo de uma parceria entre o Governo Estadual, por meio da Funtelpa, e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Os equipamentos e o tipo de transmissão utilizado pela OT possibilitam que a rádio seja ouvida em todos os 143 municípios paraenses, e até mesmo outros estados e países.
Em seu e-mail, Tore Vik pediu uma confirmação da Rádio Cultura OT, para se certificar de que a rádio que estava ouvindo se tratava realmente da emissora paraense. “Meu hobby é captar emissoras latino-americanas e eu coleciono as identificações e confirmações das mesmas, as quais ouvi aqui na Noruega. Vivo no sul da Noruega, a cerca de 70 km ao sudeste de Oslo. O distrito onde moro é uma área tipicamente agrícola habitada por fazendeiros. Estou impressionado que os sinais de sua emissora tenham chegado a um local tão afastado, que fica a mais de 9.000 km de distância”, afirma Vik.
Avô de duas crianças, Tore Vik conta, na entrevista a seguir, que seu interesse por rádio começou em 1952, aos 14 anos de idade. Nestes 57 anos como DXista, Tore Vik já perdeu a conta de quantas estações de rádio estrangeiras já ouviu, mas lembra que a emissora latino-americana mais distante que captou foi a rádio Base Esperanza, que funciona na base argentina da Antártida, a região mais inóspita do planeta.
Confira:
Quando começou o seu interesse por ouvir rádios estrangeiras?
Tore Vik - Comecei como DXista em 1952. Antes, preciso fazer um retrospecto. Temos que voltar um pouco no tempo, para abril de 1940, quando as tropas alemãs invadiram a Noruega. Para prevenir que os noruegueses obtivessem informação de fora, todos os receptores de rádio foram confiscados – isso foi na primavera de 1942. Alguns conseguiram esconder seus receptores e continuaram a ouvir. Se você fosse pego com um receptor, a pena poderia ser a morte. Havia transmissões em norueguês em vários países, como Rússia, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos – tanto em ondas médias quanto curtas. Então, quando a guerra terminou, em maio de 1945, a fome por informação era grande. Aqueles que tinham um rádio de repente tinham uma grande plateia em suas casas.

Estas transmissões continuaram nos anos após a guerra e muitos ouviam a Rádio de Moscou, a BBC de Londres, a CBC de Montreal, a WRUL de Boston e outras transmissões de ondas curtas em inglês de todas as partes do mundo. O objetivo era transmitir as notícias “assim que elas aconteciam”. Logo depois, veio a “guerra fria”, quando a rádio assumiu um papel muito importante, como intermediadora da “verdade real”.
Eu era um dos que se interessaram pelas transmissões vindas de outros países. Aos 14 anos de idade, comecei a ouvir no nosso aparelho de rádio, durante as horas que a Rádio Nacional da Noruega não transmitia. Durante dois anos, eu catava morangos em uma fazenda próxima à minha casa e pude comprar meu próprio rádio. Este hobby ganhou um nome. Eu era um “DXista” (DX significa “desconhecido à distância”).
O que os DXistas faziam?
Tore Vik - Nós escrevíamos para estações de rádio internacionais e informávamos a elas sobre a qualidade de recepção. As informações coletadas eram usadas para corrigir as frequências, antenas e tempo de transmissões. Em troca, nós pegávamos um tipo de verificação de que esta era a estação que nós estávamos ouvindo. Naquele tempo, estas cartas de ouvintes dedicados eram importantes para as estações internacionais. Não apenas pelo aspecto técnico, mas também porque havia alguém lá fora que estava ouvindo. Hoje, não é este o caso, mas nós continuamos a ouvir e enviar informações de ouvintes, com a esperança de uma resposta indicando que era a estação deles que estávamos ouvindo.
Atualmente, as pessoas preferem usar a internet para ouvir rádios estrangeiras, diretamente dos seus websites. Você ainda usa os equipamentos tradicionais, não é? Por quê?
Tore Vik - Neste hobby, você tem que ouvir as ondas de rádio – não via internet. Eu uso um receptor tradicional, mas ele é mais sofisticado do que os receptores comuns que você encontra nas lojas de eletrônicos. Por quê? Humm… Boa pergunta. Acho que tem a ver com o fato de eu gostar de captar os sinais de rádio das ondas com “fades” e barulho.
Que equipamento você usou para ouvir a Rádio Cultura do Pará?
Tore Vik - Usei um receptor produzido pela AOR chamado AR-7030. É um receptor muito bom, feito para DXistas e rádio amadores. Sou DXista desde 1952 e o desenvolvimento mudou as coisas dramaticamente – dos receptores analógicos para digitais, mas os sinais de rádio AM são os mesmos. Eu não estou sozinho. Nos anos 60, havia mais de 10.000 DXistas nos países da Escandinávia. O número, com o passar do tempo, diminuiu para algumas poucas centenas, e a idade média é alta. Existem no Brasil dois ou três clubes de DX. A principal organização é o Clube DX do Brasil (www.ondascurtas.com).

Como estava a qualidade do áudio da Rádio Cultura OT?
Tore Vik - Considerando a distância entre o Pará e o Sul da Noruega, a qualidade estava boa. Os sinais de rádio de países muito distantes viajam um longo caminho antes de alcançar a antena do receptor. Não há apenas a distância física entre o transmissor e o receptor, mas também o sinal precisa ser refletido na ionosfera várias vezes. A energia que é induzida na antena é muito pequena e nós usamos receptores adequados para sinais fracos.
Você é um “colecionador de rádios estrangeiras”?
Tore Vik - No início, foi pela informação e para aprender inglês. Hoje, você pode dizer que eu coleciono o som das identificações como ele é recebido aqui e escrevo para as estações de rádio na esperança de que elas venham a verificar se foi a estação de rádio delas que eu recebi.
Por que você escolheu a América Latina, especificamente?
Tore Vik - Pela música. Eu me lembro dos anos quando havia muitas estações de rádio brasileiras em ondas curtas. Eu sentava lá nas últimas semanas de fevereiro ouvindo a música do carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro. A primeira estação de rádio brasileira para qual escrevi foi a Rádio Bandeirantes de São Paulo – o ano era 1954.
Quantas rádios você já “colecionou”?
Tore Vik - Já ouvi entre 2.000 e 2.500 estações de radio de todo o mundo.
Quais são as suas rádios favoritas da América Latina?
Tore Vik - A minha área de rádio favorita é o planalto das montanhas dos Andes.
Você já tinha ouvido uma rádio de um país tão distante, quanto a Rádio Cultura do Pará?
Tore Vik - As estações de radio brasileiras são ouvidas regularmente. A rádio mais distante que já ouvi é a Base Esperanza, na Antártida. É uma estação de rádio na base argentina.
Quantas horas por dia você ouve rádio?
Tore Vik - Ouço meu rádio pelo menos duas ou três horas por dia. Às vezes mais, às vezes menos.
Em sua carta, você disse que não fala português. Você consegue entender alguma coisa que é dita no rádio?
Tore Vik - Não, eu não falo nem escrevo em português – mas entendo algumas palavras aqui e ali, mas vocês falam tão rápido que é quase impossível entender. O que eu entendo é quando tem um gol em uma partida de futebol. Acima de tudo, eu gosto de ouvir música – esta é uma língua internacional.
O que você sabe sobre o Brasil?
Tore Vik - Música muito boa – especialmente a bossa nova. Fala-se com frequência sobre a devastação da floresta na região amazônica e como os nativos perdem terreno para os fazendeiros. Também que o Brasil tem uma economia que está crescendo rádio, principalmente na região em torno da costa do sudeste. Também as favelas ao redor das grandes cidades e a alta taxa de criminalidade. Que o Brasil venceu a disputa pelos Jogos Olímpicos de verão – o quê mais? Ah, sim, eu quase esqueci o futebol e que vocês importam bastante bacalhau da Noruega. Eu bebo um copo de suco de laranja toda manhã, de laranjas brasileiras, e café brasileiro.
Qual era a sua profissão antes de se aposentar?
Tore Vik - Fiz um curso de eletrônica no Serviço de Telecomunicações do Exército Norueguês e como engenheiro eletrônico trabalhei no Serviço de Telecomunicações até 1997, quando me aposentei. Terminei como oficial de comando em uma oficina do Exército.
DX & Hardcore DX admin em 11 Nov 2009
Blackout no Brasil: oportunidade ímpar para a radioescuta
Ouvindo rádio durante o apagão em 10/11/2009
A experiência do apagão foi bem peculiar, apesar de ser uma vergonha em proporção mundial – falhas em máquinas e sistemas acontecem naturalmente, ainda mais acidentes de causas naturais - mas não haver contingenciamento de linhas de transmissão é evidenciar descaso com a infra-estrutura, até porque isso não dá voto: historicamente o foco dos governantes é promover maquiagem em favelas e distribuir “bolsas isso e cheque aquilo” em programas que se assemelham a distribuição de esmolas, ao invés de prover oportunidades de trabalho e desenvolvimento sustentáveis.
Mas voltando ao apagão, nestas horas de falha em infra-estrutura, especialmente falhas em sistemas elétricos, desastres, desordens urbanas e etc, é que se percebe o quanto o rádio continua sendo importante.
Usando pilhas, ou dentro dos automóveis para quem estava em deslocamento, quem utilizou um radio pode tomar ciência do problema que não afetava o próprio bairro, mas a maioria dos estados do país e até o Paraguai.
Felizmente, algumas poucas emissoras que ainda seguem a lei do Brasil e apresentam conteúdo de utilidade pública, noticiaram os eventos e aconselhavam seus ouvintes em como proceder nesta situação de adversidade.
A Rádio Tupi do Rio de Janeiro, por exemplo, que estava realizando uma transmissão esportiva – Vasco e Campinense – interrompeu a narração para dar cobertura aos acontecimentos, orientando, informando, buscando explicações para o problema, enfim, promovendo um show de cobertura jornalística, que é uma das razões primordiais da criação deste meio de comunicação, que é a radiodifusão.
Enquanto isso, as infindáveis emissoras ditas “religiosas” comandadas por diversos “escolhidos de Deus” que clamam para si a missão de Salvador, desde que o dizimo seja pago rigorosamente em dia através de boletos bancários ou em espécie, continuavam transmitindo espetáculos que beiram o bizarro. (Para quem duvidar, é só sintonizar, você encontrará desde entrevistas com o próprio Diabo em pessoa como ouvirá sessões de tortura em demônios…)
E neste espetáculo deprimente de má utilização do espectro magnético e à margem da legislação que regula a radiodifusão, que determina pelo menos uma hora diária de programação dedicada a utilidade pública, vamos assistindo passivamente a degradação do rádio – outrora sinônimo de cultura e informação, jornalismo, diversão e entretenimento para a família – em uma mídia caça-níquel sem relevância para a formação da cidadania.
E considerando que o maior ofensor em termos tecnológicos para a radioescuta é o ruído elétrico gerado pela rede elétrica e por diversos dispositivos, como lâmpadas eletrônicas, aparelhos de televisão, iluminação pública (lâmpadas a vapor de sódio que utilizam reatores), em eventos de interrupção de energia, podemos desfrutar das benesses da ausência deste tipo de interferência.
E ao ouvir na Rádio Tupi que se tratava de um evento de proporções históricas, com diversos estados do Norte ao Sul e até o Paraguai sem energia elétrica, veio a motivação para ouvir rádio sem a agressão dos ruídos elétrico.
E por volta da 01:00 hora UTC ao ligar um rádio portátil Sangean ATS909, e sintonizar lentamente as freqüências de ondas médias, tive a grata surpresa de ouvir com sinal forte e áudio excelente a Rádio BSKSA - Broadcasting Service of the Kingdom of Saudi Arabia, transmitindo desde Jeddah na Arábia Saudita, na freqüência de 1.512 kHz.

Sintonizando a Rádio BSKSA - Broadcasting Service of the Kingdom of Saudi Arabia - no Rio de Janeiro utilizando um rádio portátil e uma antena para ondas médias
Acoplando uma antena portátil de ferrite – RGP3 – o sinal se tornava mais forte, e direcionando o conjunto rádio e antena até conseguir melhor recepção gravei alguns trechos desta emissão que considero histórica.
A distância entre a cidade de Jeddah e o Rio de Janeiro é de aproximadamente 10200 KM, o que confere um caráter excepcional a esta captação.
Já sintonizei no Rio de Janeiro, na praia ao pôr do Sol, diversas emissoras do Oriente Médio e África, utilizando uma antena de 200 metros de comprimento estendida na areia, e um receptor de comunicações com muitos recursos avançados, e inclusive tenho diversas gravações destas captações.
Durante o período chamado de Grey Line, que é compreendido entre o pôr do Sol do local onde se recebe o sinal, e o outro lado do mundo onde está amanhecendo, existem fenômenos de propagação ionosférica que possibilitam ouvir emissoras de diversas partes do mundo, geralmente quando há orientação Leste x Oeste no caminho entre o emissor e o receptor.
Mas durante a noite, utilizando um rádio portátil captar uma emissora em ondas médias da Arábia Saudita com sinal forte e áudio livre de ruídos e interferências, e isso no centro urbano, dentro da sala de estar, é um feito a ser registrado.
No fim da noite no Brasil, está amanhecendo na Arábia Saudita, e justamente nesta hora estão iniciando as transmissões de rádio das emissoras locais, onde tradicionalmente no mundo Islâmico se iniciam com a leitura do Al Corão, o Livro Sagrado dos Mulçumanos. Com seu idioma fácil de ser identificado, e com a leitura em forma de canto das suras (capítulos) do Al Corão, ouvir Arábia Saudita no período da Grey Line em tais condições é realmente uma experiência inesquecível.
E diante de tal fato, telefonei para outros radioescutas, tanto no Rio como em São Paulo, para avisar sobre a possibilidade de se sintonizar emissoras transoceânicas como Jeddah, e recebi a informação de que outros países como a França em 1.557 kHz estava chegando muito bem.
Imediatamente, sintonizei esta freqüência e pude ouvir com som limpo a programação musical da France Info, que transmite da cidade de Nice, com 300 kWatts de potência. A cidade de Nice está a 9000 KM de distância do Rio de Janeiro.
A Argentina também se fez presente em alguns canais como 630 e 1620 kHz, e em 530 kHz havia emissões em espanhol, que podem ser da Argentina, ou até mesmo do Caribe, da Rádio Vision Cristiana que transmite da ilha Turks & Caikos.
Em 1610 kHz sintonizei a programação em inglês da Rádio Caribean Beacon com sinal regular.
E durante o apagão, diversas emissoras de ondas médias brasileiras, saíram do ar, com a falta de energia, como a Rádio Cultura de São Paulo em 1200 kHz, deixando o canal livre para outras emissoras do nordeste brasileiro, como ocorreu com o canal de 540 kHz que também ficou aberto para outras localidades.
Apesar do fato lamentável da falta de energia a nível Brasil, e que causou enormes transtornos a população, foi uma oportunidade ímpar para ouvir rádio, ainda que por breves momentos e sem preparação alguma, quanto ao tipo de rádio e antena mais apropriados para captações mais difíceis.

Mapa da Arábia Saudita - Transmissor localizado em Jeddah
Sarmento Campos - Rio de Janeiro
10/Nov/2009
DX & Hardcore DX admin em 07 Nov 2009
Que rádio devo comprar: um portátil ou um modelo de mesa ?
Para quem gosta realmente de sintonizar emissoras de rádio, e conhecer outras culturas, não só fora do país, mas dentro de nosso próprio país continental, a história sempre começa com um receptor de rádio.
Que obviamente, é a primeira ferramenta para poder se captar as ondas Hertzianas. E o segundo passo, por motivos também óbvios, é procurar uma antena de forma a possibilitar melhor condição de se receber os sinais, na faixa que se pretende iniciar.
E esse assunto é recorrente na lista de discussão Radioescutas WWW.radioescutas.com que é o maior fórum sobre rádio em nosso idioma e á gerido pelo DX Clube do Brasil.
Recentemente, um colega radioamador questionou na lista a respeito de qual fabricante e modelo de rádio adquirir para a radioescuta, e a pergunta girava em torno de um novo rádio, sobre se valeria a pena adquiri-lo e caso positivo, questionava sobre um fornecedor de equipamentos para radioescutas.
A oportunidade foi interessante, pois é uma dúvida comum a quem quer entrar no mundo da radioescuta, e gira em torno de que tipo de equipamento comprar: portátil ou de mesa.
E a comparação girou entre o recém lançado Grundig Satellit 750 e o clássico receptor Icom R75, muito apreciado por seus recursos avançados, porém, que requerem certos requisitos para operar com plena capacidade.

E nesta linha, segue minha resposta que pode ser útil a outros que por ventura estejam se aventurando neste mundo das ondas de rádio.
Olá Marcelo;
O Renato é totalmente confiável, já comprei alguns rádios com ele com bastante tranquilidade.
Aqui mesmo na lista, já existe uma opinião sobre o 750 que inclusive foi fornecido pelo Renato:
http://br.groups.yahoo.com/group/radioescutas/message/52601
Como você é radioamador, certamente conhece os prós e contras de um receptor “de mesa” e de um “portátil”. Para colocar no contexto correto minha opinião, considerando o R75 sendo de mesa, e o 750 portátil, existem algumas diferenças de utilização.
Como por exemplo, em uma DXCamp, o Icom irá necessitar de uma bateria externa para fornecer 12 volts com boa amperagem. O portátil 750, opera com pilhas grandes internamente o que é mais prático dependendo do uso.
Ambos necessitam de antena externa, porém, em ondas médias, o 750 se sobressai por ter antena de ferrite que inclusive pode ser acoplada uma RGP3 para melhorar o DX.
O Icom em ondas médias irá precisar de uma antena “especial” como uma loop de quadro com acoplamento indutivo e amplificado, de forma a ter diretividade e ganho razoável.
Se você tiver espaço para lançar uma longwire com comprimento razoável para OM, isso não será problema.
O 750 é orientado a broadcast, com áudio mais apropriado para esse fim, já o Icom é subproduto de transceiver, especializado em SSB, e neste item, é imbatível, porém, para radioescuta e DX de broadcast irá requerer alguns acessórios.
Exemplo : um filtro de 3.3kHz para dar qualidade no modo AM especialmente em faixas congestionadas para melhorar a seletividade e melhorar o áudio; uma pequena modificação no circuito AGC para aumentar o tempo, pois o original é muito rápido, e em AM o sinal oscila causando prejuízo na recuperação do áudio.
O filtro original além de largo, não serve para a função PBT; com este filtro, tanto em AM como em SSB o Icom é espetacular. O inconveniente é o alto preço deste acessório.
O alto falante interno do R75 é inútil para broadcast, será necessário acoplar uma pequena caixa externa, eu por acaso, uso uma caixa da Selenium, o que confere qualidade de áudio excepcional.
O 750 já nasceu com a orientação para radioescuta, que suporta antena externa adequada, ou sua própria telescópica, conferindo grande mobilidade.
Enfim, são aplicações completamente diferentes e grosseiramente falando, não podem ser comparadas, pois as características de uso são bem diferentes.
Se você quer hardcore DX, é o ICOM R75. Faça algumas modificações, compre o filtro opcional, acople uma antena boa para OC e outra para OM e poderá operá-lo como um rádio “de mesa”.
O Renato senão me engano também fornece R75, como o Erwin da Radiohaus onde eu comprei o meu em 2002. Hoje o Icom R75 “pelado” custa R$ 2.750,00 na Radiohaus. Com opcionais fortemente recomendados, o preço vai girar em torno de R$ 4.000 (*)
(*) Recomendo também o circuito DSP para auxiliar a recepção em modo ECSS, com um pouco de paciência, pode-se tirar do ruído algum DX interessante usando o DSP que é ajustável.
Para uso em casa, NÂO use a fonte original do Icom R75, ou compre outra fonte, de preferência de 13.8 Volts ou modifique o circuito da fonte original, para introduzir um regulador de tensão e diodos de proteção contra inversão de polaridade, pois a fonte original além de não ter proteção, fornece até 18 Volts sem carga, e em torno de 15 Volts com carga. Ou seja, se usar a fonte original, o Icom vai esquentar um pouco, pois ele internamente não tem regulador de tensão.
Para DX em praia, campo ou local remoto, compre uma bateria de 12 volts, com amperagem suficiente para operar pelo período desejado, e um carregador naturalmente. Não aconselho a usar a bateria do carro apesar da Icom oferecer um cabo para este fim, pois o Icom consume até 2 amperes.
O mais indicado, dependendo do que se deseja e dentro das nossas intenções de gasto (ou investimento), é juntar os dois mundos, um rádio portátil de boa qualidade para se ter mais mobilidade, e outro de mesa para hardcore.
Espero ter ajudado se desejar trocar experiência sobre o R75 para DX em particular, pode me enviar um email diretamente.
73s
Sarmento Campos – Rio de Janeiro
Rádio Difusão Internacional & Hardcore DX admin em 29 Ago 2009
Dijibuti - o Chifre da África presente no Rádio de Ondas Curtas
No Momento Cultural de hoje, falaremos um pouco sobre a história de um país que no mês de março passado, reativou suas transmissões em onda curta, e que seu sinal desde então, está sendo captado aqui no Brasil na freqüência de 4780 kHz.
Este país chama-se Djibuti.
Localizado no nordeste do continente africano, no chamado Chifre da África, o país é uma das áreas mais quentes e áridas do planeta. Seus desertos contêm lagos salgados, e apenas 1% do território é arável. Quase toda a comida é importada. Última colônia francesa a conquistar a independência no continente, o Djibuti vive de serviços e comércio, que respondem por 80% do PIB. A atividade econômica concentra-se na capital, a cidade portuária de Djibuti, importante ponto de comunicação com a península Arábica e o Oriente.
O nome oficial é República do Djibuti, com uma população de 450.000 e sua fronteira limitada a Noroeste e a leste pelo Mar Vermelho, a Sudeste pela Somália, a Sudoeste pela Etiópia e a Norte pela Eritreia.
O seu idioma oficial é árabe, existindo também o francês, afar, issa e somali. A religião é predominante muçulmana com 94% da população, e as demais 6% cristã.
Nos últimos anos, conflitos internos levam cerca de 10 mil djibutienses a exilar-se na Etiópia. Ao mesmo tempo, refugiados somalis e etíopes que estavam na região são repatriados, diminuindo de 150 mil para aproximadamente 25 mil.
Habitado por tribos nômades convertidas ao islamismo no século IX, o país nasce como colônia, a Somália Francesa, estabelecida em 1862. A partir de 1958 adquire status de território ultramarino, com autonomia limitada, passando a chamar-se Território dos Afars e Issas, referência a dois grupos étnicos que compõem sua população. Um plebiscito realizado em 1977 aprova a separação da França.
Em junho desse ano proclama a independência e adota o nome de Djibuti. Hassan Gouled Aptidon (da etnia issa) é eleito para presidente, concorrendo como candidato único. Na década de 80, o poder absoluto de Gouled é desafiado por grupos ligados à etnia afar, apoiados pela vizinha Etiópia. Em abril de 1991 surge uma poderosa organização armada, a Frente pela Restauração da Unidade e Democracia (Frud), formada pela união de três grupos rebeldes da etnia afar. Em novembro, a Frud lidera uma insurreição contra o governo e ocupa o norte do país.
Em 1994, a Frud se divide em várias lideranças. A facção de Ougoureh Kifleh Ahmed e Ali Mohamed Daoud negocia com o governo, em nome da organização, o fim do conflito. Um acordo assinado em dezembro prevê a incorporação de parte do Exército da Frud às Forças Armadas nacionais, a criação de um Conselho de Ministros multi étnico e a reforma eleitoral. O processo de pacificação é conturbado porque a Frud não tem controle total de seu contingente e um setor mantém a luta armada.
Em 1996, a Frud é reconhecida como partido político, o quarto do país - quatro é o número máximo de partidos permitido pela Constituição de 1992. A Frud apresenta-se nas eleições parlamentares de 1997 em aliança com o partido governista União Popular pelo Progresso (RPP). Juntos obtêm a totalidade das 65 cadeiras do Parlamento. Em junho de 1998, o FMI aprova novo aumento do crédito concedido ao país, que totaliza cerca de US$ 11 milhões, em contrapartida a um programa de reformas econômicas e ajuste orçamentário.
Recentemente, em função de um acordo com os Estados Unidos, foi instalado naquele país um transmissor de ondas Médias de 600 kwatts para a retransmissão da Rádio Sawa, que é uma emissora mantida pelo governo americano que transmite em Árabe para o Oriente Médio e norte da África.
Segundo informações divulgadas, como parte deste acordo, os Estados Unidos, não só instalaram dois transmissores em FM para retransmitir programas da Rádio Voz da América, a emissora governamental dos Estados Unidos, como também ajudou o Djibuti a reativar sua estação de ondas curtas . E desde então, suas transmissões têm sido captadas na freqüência de 4780 kHz, banda de tropical de 60 metros.
Este episódio mostra que o rádio, independente da faixa de operação, seja em Ondas Medias, FM, mas em especial em ondas curtas, ainda se apresenta como uma importante ferramenta para a divulgação de ideologias e informações sobre cultura e pontos de vista, aos mais distantes lugares da nossa aldeia global.
O áudio de abertura e fechamento deste momento cultural, é da Radio Djibuti transmitindo no idioma somali.
Até o próximo encontro, e abraços de Sarmento Campos, da cidade do Rio de Janeiro.

Dijibuti - O Chifre da África no Rádio em Ondas Curtas
Rádio Difusão Internacional & Radioescuta & DX & Hardcore DX & Receptores admin em 10 Jul 2009
Fórum de discussão sobre rádio - Lista Radioescutas
Atualmente, com a participação de quase 900 membros, a Lista Radioescutas, no endereço www.radioescutas.com é hoje o maior fórum de mundial da prática radioescuta em língua portuguesa.
Fundada em setembro de 1997, esta lista se destaca pela troca de informações entre dexistas do Brasil e de diversos paises do mundo na internet.
Dela participam ouvintes de rádio de todas as idades e adeptos dos mais variados tipos de escuta, para troca de idéias, captações, informações sobre QSL’s e anúncios de eventos sobre o “hobby”. Desde sua fundação até os dias atuais, este espaço é mantido pelo DX Clube do Brasil, de modo totalmente gratuito e mantendo uma temática geral dentro do hobby do rádio, é destinada tanto ao radioescuta experiente quanto ao iniciante.
Nesta lista são tratados em profundidade vários temas relacionados a prática do dexismo. Aqui é o lugar certo para o dexista tirar as suas duvidas sobre esse fascinante hobby.
Acesse a página http://www.radioescutas.com crie o seu perfil no Yahoo e se inscreva na Lista Radioescutas e participe das discussões sobre o rádio de ondas curtas, e todos os aspectos ligados ao rádio, como receptores, antenas, aspectos históricos, prática da sintonia de emissoras distantes e tudo mais.
Hardcore DX admin em 11 Jan 2009
Caça á emissoras internacionais em Ondas Médias na Praia de Jaconé, Rio de Janeiro
Um dos aspectos mais interessantes da atividade de se ouvir rádio, é e sempre será a união entre lazer, natureza e encontro com amigos. Imagine a cena em pleno verão carioca, com crianças brincando na areia da praia, surfistas pegando ondas, e nós, praticantes deste hobby da radioescuta pegando ondas também, só que de rádio frequência !
Em um local agradável, com relativa segurança, até porque os grandes centros urbanos estão sitiados por violências de todos os tipos, poder estender um fio, acoplar no rádio, e ao mesmo tempo que observamos a paisagem, o Sol, a Lua, o mar, enfim, podemos fazer experiencias com as ondas herzianas.
Eu e meu amigo Rocco Cotroneo, que é especialista em sintonizar emissoras de ondas médias transoceânicas, ou seja, de outros continentes, fomos a praia de Jaconé ao fim da tarde fazer algumas tentativas no sentido de observar como são as condições de sintoniza de sinais de rádio em ondas médias.
Lançamos dois fios bem esticados de 200 metros ao longo da areia, e dentro do carro, acoplamos as antenas nos receptores Eton E1 e Sony 2010.
No Sony 2010, que possui antena interna de ferrite para ondas médias, utilizei um acoplador indutivo montado pelo Waldemar Scaquetti, que não só transfere o sinal de ondas médias da antena longwire, como também atua como um pré-seletor para a frequência desejada, o que melhora muito as condições de recepção dos sinais.
Os resultados não foram animadores, em função de forte ruído elétrico, pois a rede de alta tensão estava próxima da areia da praia, e ao longo desta, o que tornou nossas antenas muito ruidosas, devido ao caminho paralelo que tivem que utilizar.
Algumas portadoras fortes, como em 1503 Khz, que seria Taiwan, porém, com áudio ilegível coberto pelo ruído elétrico. Afora algumas emissoras captadas do sul do Brasil e do Nordeste, não conseguimos registrar emissoras de outros continentes.
No horário compreendido entre o por do Sol e aproximadamente 45 minutos após, normalmente abre-se uma janela de propagação ionosférica, que permite a sintonia de emissoras transoceanicas com boa qualidade de sinal, porém, mesmo nesta janela, somente a mãe Natureza, ou melhor, um de seus filhos que é a propagação das ondas de rádio, é que pode determinar o que será captado.
De qualquer forma um passeio muito agradável pela orla do Rio, mais algumas lições aprendidas sobre a atividade da radioescuta e DX.
Eu e o Rocco ao lodo do posto de escuta
O Rocco dentro do carro realizando a sintonia de ondas médias
Agora na areia da praia, próximo a água, buscando menor ruído elétrico
Transferidor de sinais de ondas médias, acoplado indutivamente ao receptor Sony, próximo a bobina interna de ferrite
Detalhe da antena de 200 metros de comprimento, conectada no transferidor de ondas medias, em utilização com o rádio Sony 2010
Vista da praia de Jaconé, tendo ao seu término a cidade de Saquarema
Vista do início da praia de Jaconé, em Ponta Negra, repare como se parece um gigante adormecido observando o mar à sua frente




